Boas práticas na infraestrutura colaboram para preservação ambiental

Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, também comentou sobre o licenciamento ambiental em projetos e obras no setor

Boas práticas na infraestrutura colaboram para preservação ambiental
Boas práticas na infraestrutura colaboram para preservação ambiental

O setor da infraestrutura pode contribuir para a preservação ambiental ao adotar boas práticas na construção e execução dos projetos. Essa afirmação foi dita pelo Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, durante a Paving Virtual, mais importante e inovador evento híbrido do setor de infraestrutura viária e rodoviária do Brasil.

Segundo o Ministro, o menor uso de recursos naturais e o reuso e reciclagem de materiais e insumos representam ganhos ambientais. “A reinserção de produtos deve ser incentivada, assim como a economia circular, logística reversa, processos de reutilização e reciclagem”, disse. Contudo, há alguns obstáculos para adoção dessas práticas como a questão tributária, passando pela questão normativa. “A parte regulatória precisa ser sempre revisitada, modernizada porque a tecnologia e o estado da arte são dinâmicos. Assim, se precisam de normas, que garantam a segurança jurídica e ambiental dessa operação, além da viabilidade econômica”.

Quanto ao licenciamento ambiental em obras de infraestrutura, Salles ressaltou que é importante fazer um juízo de valor de viabilidade da obra, mas também qual a consequência de sua não realização ou aprovação. Ele exemplificou com a questão do linhão de energia da região Norte que ainda obteve o licenciamento ambiental, o que acarretou no acionamento de termelétricas em Roraima, que trazem sérios problemas ambientais.

“Temos a preocupação com a objetividade, celeridade e qualidade. Isso significa que demora tampouco complexidade e um emaranhado de regras são sinônimos de qualidade. Precisamos tornar mais célere e simplificado o que é de baixa complexibilidade e focar nossos esforços, pessoas e tecnologias naquilo de maior complexidade, que requer maior atenção”, avaliou Salles, que acrescentou que espera que a nova Lei de Licenciamento Ambiental que está no Congresso Nacional possa ser debatida e colocada em votação para uma futura aprovação.

Concreto

Durante a Paving Virtual, dois painéis trataram do pavimento de concreto. Moderada pelo diretor de Planejamento e Mercado da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), Valter Frigieri, o painel Competitividade do Pavimento de Concreto, contou com a participação de três especialistas.

O gerente do Programa Estratégico do Exército: A Nova Logística Militar Terrestre, general Jorge Ernesto Pinto Fraxe, que ressaltou todos os benefícios desse tipo de pavimento, começando pela vida útil que é no mínimo o dobro da vida máxima do pavimento flexível. “Quando se tem mais de 2 mil veículos de carga trafegando na rodovia por dia, para suportar do ponto de vista econômico, ela precisa ser projetada com pavimento rígido. Após 16 anos, o flexível será mais caro que o rígido e quando ultrapassar 35 anos, poderá ser pelo menos 65% mais oneroso”.

De acordo com o General, o quanto mais velho fica o pavimento rígido, melhor ele se torna, porque as moléculas se adensam e endurecem o pavimento. Mas, são importantes uma boa drenagem e a manutenção contínua das juntas de dilatação para o bom trabalho das placas. “As concessões se justificam quando se tem o escoamento da riqueza do país, o que significa um alto tráfego de carga. Assim, o pavimento rígido será a melhor solução”.

O engenheiro Marcos Dutra apresentou alguns fatores para a competitividade do pavimento de concreto, como por exemplo, a durabilidade, com obras executadas até 90 anos no Brasil, o custo da construção e o custo final, os avanços tecnológicos, com controle de qualidade do concreto, a aquisição de máquinas, permitindo obras de qualidade e com mais velocidade de execução, a redução da emissão de gases de efeito estufa, melhor visibilidade no trânsito, redução da distância de frenagem, além de seguir uma rígida normalização.

Sobre concessões, o diretor de Engenharia na Houer Concessões, Roger Veloso, afirmou que a modelagem  atual busca oferecer a menor tarifa de pedágio para que ela possa remunerar os investimentos que precisam ser feitos ao longo do contrato e ao mesmo tempo ser atrativa para a concessionária entrar no negócio. Contudo, ressaltou a importância de um marco regulatório adequado para que o investidor tenha a segurança jurídica. Além disso, ele comentou sobre a incorporou de índice de sustentabilidade nas concessões, um indicador que a rodovia é perene e sustentável ao longo do tempo. “Isso pode trazer atratividade para o investidor externo, que tem buscado projetos sustentáveis”.

Já o diretor presidente da Avantec Engenharia, Kleber Pereira Machado, comentou sobre a aplicação do pavimento rígido na Avenida Vitória, uma das principais vias arteriais da região metropolitana de Vitória (ES).  Para chegar a essa utilização, foi realizado um estudo, com o escaneamento de 100% da via e das três faixas em alta resolução para o levantamento de defeitos e medição do IRI (International Roughness Index ou Índice de Irregularidade Internacional, em português). Assim, ficaram definidas a reconstrução da faixa 3 e a reabilitação das faixas 1 e 2.

Nesse sentido, os estudos mostraram que a solução ideal para reconstrução seria o pavimento rígido com barras de transferência, mesmo com um pequeno acrescimento de apenas 4,5% no custo do metro quadrado ante ao pavimento flexível. Isso porque os benefícios seriam maiores, como a menor intervenção na via, a vida útil de pelo menos 20 anos, o dobro do tempo de vida do outro tipo de pavimento, e a facilidade na manutenção. A ciclovia também recebeu o pavimento rígido, mas sem barra de transferência.

A obra foi entregue no dia 8 de setembro deste ano, aniversário de Vitória, em pouco mais de 10 meses de execução. Segundo Machado, esse case é um divisor de águas quando se fala em pavimento de concreto, porque atualmente tanto o Estado do Espírito Santo como a prefeitura da cidade têm buscado a adoção dessa tecnologia. A medição do painel foi de Erika Mota, gerente da Área de Cidades da ABCP.

Equipamentos

Outro destaque na programação da Paving Virtual foi o debate com quatro representantes de equipamentos para infraestrutura rodoviária: Caterpillar, Dynapac, John Deere e Wirtgen Group, e moderação do engenheiro Valmir Bonfim.

Adriano Correia, diretor comercial da Wirtgen Brasil, ponderou que a expansão das concessões é bastante interessante porque pode permitir trazer mais tecnologia para o processo de pavimentação. “As concessionárias investem em inovação e produtividade”, disse. A seu ver, hoje, existem algumas obras que não aproveitam todo o potencial das máquinas, ou seja, elas são subutilizadas, não trazendo toda a produtividade que poderiam.

Nesse sentido, Thomás Spana, gerente de Vendas da Divisão de Construção da John Deere, refletiu que as concessões podem atrair novos players para o setor de infraestrutura, uma vez que o país possui muitos ativos, extremamente atraentes. Ele também comentou sobre o ano desafiador que reduziu a exportação na base de 40%, com crescimento em torno desse percentual no mercado brasileiro e o valor do câmbio subindo nessa ordem. “Com isso, não houve alternativa senão a correção dos preços”.

Acrescentando a informação, Carlos Santos, gerente de Vendas da Dynapac, afirmou que a cadeia de produção de equipamentos para infraestrutura é global, com boa parte dos componentes vindos do exterior. “Você compra o motor fabricado no país, mas dentro dele há componentes importados”, exemplificou. “A cadeia é dolarizada e os custos vão ser repassados. Uma medição da FIPE, em 2008, mostrou que houve um grande aumento no preço de obras públicas em 2008 por um problema de câmbio”.

Paulo Roese, gerente de pavimentação da Caterpillar para Brasil, Paraguai e Uruguai, enfatizou a importância da tecnologia, mas principalmente do cliente. “É preciso ter alguém que quer a tecnologia. Ele precisa entender quais serão os benefícios em termos de produtividade e rentabilidade”, explicou. Em sua avaliação, cada tipo de segmento demanda um tipo de tecnologia, conforme o amadurecimento do mercado. Ademais, ele lembrou da importância de capacitar os operadores para que ele possa utilizar todo o potencial das máquinas.

Na sequência, Wellington Mitsuda, gerente de marketing de Produto, e Ricardo Zurita, gerente de Vendas & Key Account da Komatsu, falaram sobre as tecnologias da fabricante para o setor de infraestrutura, como a digitalização, e sobre os aprendizados durante a pandemia para manter o atendimento ao mercado, uma vez que as obras não pararam assim como o agronegócio também se manteve em atuação contínua.

Segurança Viária, geossintéticos, transformação digital e sustentabilidade

Na área de segurança viária, o consultor Fernando Pugliero e a engenheira Shanna Lucchesi trouxeram informações sobre a metodologia IRAP (International Road Assessment Programme), que visa estabelecer metas e garantir a proteção dos usuários. Ano passado, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) lançou o BrasilRAP para identificar, a partir dessa metodologia, as vias de mais alta periculosidade no país, possibilitando intervir para redução de riscos. Atualmente, já foram analisadas a segurança de mais 10 mil km de rodovias. E a metodologia foi aplicada em 14 projetos de concessões.

Logo após, o professor da Universidade do Vale do Paraíba (UNIVAP) de São José dos Campos, Guillermo Montestruque, ministrou a apresentação “Recuperação e Aumento da Vida Útil de pavimentos com o uso de Geossintéticos”, a convite do Comitê Técnico de Geossintéticos da ABINT (CTG-ABINT) . Ele trouxe suas pesquisas sobre o uso de geossintéticos (geotêxteis e geogrelhas) na restauração de pavimentos, ressaltando os benefícios da aplicação para retardar a propagação de trincas e para ampliar a vida útil dos pavimentos de rodovias e vias urbanas. O painel contou ainda com a participação da professora adjunta da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Natália de Souza Correia.

João Fornari e Marcelo Figueiral falaram sobre a transformação digital para empresas de infraestrutura rodoviário. Eles comentaram sobre a importância de se ter uma cultura de inovação e uma cultura digital, no qual os projetos mais longos passarão a ser mais ágeis, transformando processos para ganhar mais velocidade. Além disso, eles lembraram que inovação não é o fim, mas um processo, que resulta na otimização de processos, ganho de eficiência, ampliação das oportunidades de negócios, incentivo à experimentação, aprendizado contínuo e colaborativo e torna a empresa sustentável.

O gerente da Unidade de Negócios – Pavetech Da Ingevity, Hernando Macedo de Farias falou sobre a tendência do uso da mistura asfáltica morna. Os Estados Unidos, que é a maior referência técnica do setor no mundo, ratifica essa tendência. Em 2018, esse tipo de mistura alcançou 40% do mercado e 70% das empreiteiras utilizam essa tecnologia. Naquele país, são produzidas anualmente 389 milhões de toneladas de misturas asfálticas. No Brasil, são fabricadas 40 milhões toneladas e a mistura morna representa apenas 4% do mercado. A seu ver, essa tecnologia está virando uma tendência por seus benefícios econômicos, de processo e ambientais, como a redução da emissão de gases de efeito estufa.

Finalmente, o palestrante internacional Francisco Pumares, da Road Steel Engineering falou sobre “Barreiras metálicas em pontes e obras de arte”.

A programação da Paving Virtual na quinta teve duas Learning Session. As apresentações técnicas foram ministradas pelos expositores e parceiros: Astec, Autodesk, Blog da Engenharia, Cosmoderma, Engebloc, Engenharia 360, Komatsu, Marvitec, Moba, Moviis, Nacional Gás, Riopar, Romanelli, Sotreq/Caterpillar, Veneza Equipamentos/John Deere e Wirtgen Group.

Informações: www.pavingvirtual.com.br.

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