Amplitude e bem-estar

Com a pandemia, cresce a procura por apartamentos com pé direito duplo

O chamado novo normal mudou a rotina de muita gente. Com a pandemia, muitos profissionais tiveram que deixar suas salas comerciais e escritórios para trabalhar em home office, as crianças também trocaram as escolas pelas aulas virtuais, além do isolamento social que fez com que as famílias ficassem mais tempo em casa. Em consequência disso, a demanda por imóveis maiores e confortáveis cresceu nos últimos meses. “O ser humano precisa de espaço.”, afirma o arquiteto Alberto Dávila, presidente da Dávila Arquitetura. “Ao mesmo tempo, temos grande capacidade de adaptação. Nem sempre temos o espaço ideal, então nos apropriamos dele da melhor maneira possível, aproveitando cada centímetro disponível. No entanto, quando falamos do desejável, em termos psicológicos, nossa busca é por espaço. Ninguém quer se sentir preso, enlatado.”, completa o arquiteto.

Mas o conceito de espaço vai muito além dos metros quadrados de um cômodo, por exemplo. Uma tendência que cresceu muito nesses tempos de Coronavírus foram os apartamentos com o pé direito duplo. Segundo as principais construtoras do ramo, a procura por este tipo de imóvel teve um aumento de 30% nos últimos meses em relação ao mesmo período de 2019.

Pé direito é o nome dado à medida que vai do piso até o teto de um imóvel. Convencionalmente as construções padrão usam entre 2,60m a 3m. Para ser considerado duplo, o pé direito tem que medir no mínimo 5 metros. “Por questões de economia de recursos, o pé-direito das construções contemporâneas é bem inferior ao que era praticado nas construções mais antigas e a redução do pé-direito chegou a tal ponto que suscitou um movimento contrário: a demanda por um aumento”, afirma Dávila.

O escritório Dávila Arquitetura, por exemplo, tem em seu portfólio de projetos diversos empreendimentos com pé direito mais generosos. “O edifício La Forme, um projeto premiado pelo Grande Concurso de Arquitetura Corporativa e desenvolvido para a Construtora Somattos traz uma sala com trecho em pé-direito duplo. Para a mesma construtora, fizemos o Privilège, no bairro de Lourdes, com o mesmo recurso. Outros exemplos podem ser incluídos nesta lista, como o Grand Lider Olympus, da Construtora Lider / Cyrela, o Selfie, da Caparaó (que tem estúdios com mezanino), além dos edifícios Via Ômega, Chopin e Mont Blanc, em Brasília, dentre outros”, explica o Alberto.

Para o arquiteto uma das vantagens de se ter um pé direito duplo, e um dos principais motivos pela procura por este tipo de imóvel na pandemia é a qualidade do ar no apartamento. Segundo ele, os ambientes ficam muito mais ventilados e arejados, proporcionando uma constante renovação do ar e tornando o cômodo mais fresco, ideal para os dias de calor, acarretando também uma economia no uso do ar condicionado. Outro ponto a favor é a luminosidade abundante devido ao tamanho das portas e janelas que compõe o espaço, diminuindo e muito o uso de luz artificial e, consequentemente, o valor da conta de energia no final do mês, além da sensação de aconchego que este tipo de construção traz para o morador. ”Ao afastarmos os tetos de nossas cabeças, ficamos mais à vontade, sentimo-nos mais livres”, comenta o presidente da Dávila Arquitetura.

Mas Alberto ressalva que ambientes com pé direito duplo requer um pouco mais de trabalho em relação a manutenção do espaço como é o caso de lâmpadas e luminárias que, por serem de difícil acesso por causa da altura, fica mais difícil quando algum reparo ou a troca das mesmas for necessário. As cortinas são outro ponto que demandam certo esforço tanto na hora da instalação como na limpeza. A acústica do ambiente é outro fator que deve ser observado. De acordo com Dávila, “com mais espaço na vertical, se o ambiente não for tratado com revestimentos acústicos pode haver uma maior reverberação”.

Levando em conta os prós e contras, Dávila defende o recurso do pé direito duplo nos apartamentos, pois a generosidade tridimensional nos espaços proporciona bem estar à mente e ao corpo humano. “Somos seres animados, que têm alma, que se movimentam. O espaço tridimensionalmente valorizado favorece estes percursos, do corpo e da mente e assim, portanto, contribui para a saúde das pessoas como um todo.”

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